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Finanças

Como começar a investir em criptomoedas? Veja 7 passos

Especialistas apontam que os primeiros passos precisam ser dados de forma segura.

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Tempo médio de leitura: 9 minutos

Criptomoedas em cima de uma mesa

Investimentos em criptoativos têm ganhado cada vez mais interesse de investidores. Segundo a gestora de criptoativos Hashdex, o número de investidores em fundos e ETFs de criptoativos cresceu 1.266% em 2021 em relação a 2020, superando a marca de 410 mil investidores. No último ano, a quantidade de produtos de investimentos que ofertam exposição às criptomoedas mais que dobrou. Em meio a esses avanços, especialistas apontam que é fundamental saber como investir em criptomoedas para dar os primeiros passos com segurança, já que são considerados ativos de risco.

Orlando Telles, sócio-fundador e diretor de research da casa de pesquisa em criptoativos Mercurius Crypto, explica que a primeira coisa que é preciso ter em mente é que trata-se de um mercado completamente diferente dos outros. Por ser mais recente e estar passando por questões regulatórias, naturalmente é mais alavancando e tem mais volatilidade. Segundo Telles, não é recomendável investir no mercado de criptoativos sem antes fazer uma pesquisa, entender e ter motivos razoáveis para comprar esses ativos.

Já Fabrício Tota, diretor de novos negócios do Mercado Bitcoin, diz que o investidor precisa saber que é de um investimento de renda variável, é preciso estar preparado para as oscilações dos valores dos ativos e ter foco no longo prazo.

Vinicius Blitzer, gerente no Brasil Bitcoin, alerta que existem muitos golpes envolvendo esses ativos e que, por isso, o investidor precisa saber que não existe lucro garantido com investimentos em criptoativos e que é necessário buscar projetos com valores consolidados.

O InvestNews preparou um passo a passo com 7 dicas para ajudar o investidor a começar a investir em criptomoedas. Confira:

Entenda o que é blockchain

No mercado de criptoativos, é importante entender a tecnologia utilizada e como ela funciona. É a blockchain.

Essa tecnologia foi criada para garantir segurança e transparência em negociações digitais e ela é a estrutura compartilhada de dados que faz o registro e validação de transações.

Telles recomenda que a pessoa entenda como funciona o algoritmo, a segurança e as trocas internas. “É um processo que, em um primeiro momento, pode assustar o investidor que não conhece, não entende de tecnologia e programação, mas hoje, à medida que o mercado vem sendo conhecido, já tem mais conteúdos disponíveis”, diz.

Se informe sobre o universo das criptoemodas

Apesar de o investimento em criptomoedas ser em um mercado descentralizado, são diversos os conteúdos disponíveis para que o investidor consiga obter mais conhecimento sobre os criptoativos.

Os especialistas ouvidos pelo InvestNews recomendam que essas informações sejam pesquisadas em casas de research e exchange, que são corretoras especializadas em negociação de criptomoedas, conhecidas e conceituadas.

Eles também sugerem que sejam feitas pesquisas de informações em plataformas internacionais, já que o universo de criptomoedas não se restringe somente ao Brasil e, no mundo, diversos conteúdos estão sendo produzidos, com informações mais recentes, em meio a um mercado que não fecha e as negociações acontecem 24 horas por dia.

“Tudo chega primeiro no mercado estrangeiro. Nosso mercado ainda é defasado, e, por isso, talvez, a criptomoeda tenha subido tudo o que tinha para subir e, quando chegou aqui, exceto os principais ativos do mercado, já subiram tudo o que tinham para subir. Por isso, é importante estar atendo aos conteúdos estrangeiros”, diz Bitzer.

Outra importante fonte de informação são os sites dos próprios projetos das criptomoedas. Apesar de terem informações um pouco mais técnicas, também são uma forma de entender melhor a proposta. Mas essas informações podem estar enviesadas, e por isso é importante buscar outras fontes de conteúdo.

Tota explica que existe o chamado “white paper”, que traz todas as informações que são relevantes sobre o criptoativo. Nele estão os fundamentos que serviram de base para a elaboração da criptomoeda, explicando a sua proposta.

A depender do projeto, quando são considerados bons, costumam ter comunidades em redes sociais, nas quais é possível fazer interações, como no Twitter, sendo mais uma alternativa de pesquisa.

Outra maneira de o investidor conseguir conhecer mais sobre os criptoativos é por meio dos agregadores de notícias, que são plataformas que centralizam informações sobre criptomoedas. Telles recomenda a plataforma CoinGecko.

Entenda o criptoativo e tenha claro o seu perfil de investidor

Antes de dar os primeiros passos no universo de investimento em criptomoedas, é fundamental conhecer a história do ativo, quais são os seus propósitos, características, para conseguir constatar se ele pode ter valor no futuro e fazer sentido para a estratégia de investimentos.

Também e importante pesquisar quem está por trás do ativo, assim como acontece com as empresas da bolsa de valores. É preciso observar a governança, quem são os fundadores, equipe atual, se tem transparência, auditoria etc.

Além disso, é interessante se perguntar por que o ativo tem valor, o motivo de estar investindo nele e qual prazo está disposto a investir. Estas três perguntas vão auxiliar o investidor a criar sua tese de investimentos em criptoativos.

“A gente sempre indica que seja um investimento mais a longo prazo, porque o investidor vai buscar projetos com mais fundamentos, que já se provaram ao longo do tempo. Na estratégia de curto prazo, tende a ter volatidade maior. Se o investidor não tiver experiência de mercado, é muito provável que compre uma criptomoeda e, no dia seguinte, ela pode ter grande queda, pois já passou o prazo dela ou é uma moeda meme”, alerta o gerente da Brasil Bitcoin.

Blitzer lembra ainda que investimentos em criptomoedas são para pessoas que querem diversificar seus investimentos e que tenha conhecimento do mercado.

Não é indicado para quem está precisando de dinheiro rápido ou passando alguma dificuldade financeira, acreditando que vai colocar dinheiro e multiplicar o capital. Tem risco. Então, tem que investir somente o valor que se possa perder. Criptoativos não são recomendados para pessoas inexperientes”, diz o gerente da Brasil Bitcoin.

Analise valor de mercado, os ativos em circulação e volume de negociação

São estes três os principais pontos que os especialistas ouvidos pelo InvestNews recomendam que sejam analisados antes de fazer a compra de criptoativos. 

Bitzer explica que um erro muito comum é a pessoa se basear apenas no preço do criptoativo, e isso não é o fator mais importante a se considerar, segundo ele.

 Assim, é preciso se atentar ao número de moedas em circulação: quanto menor, melhor, pois trata-se de uma moeda mais escassa e ela tende a se valorizar mais com o tempo.

Também é preciso acompanhar o volume de negociação: é necessário verificar se a criptomoeda tem liquidez, pois, caso o investidor queira vender o ativo num determinado momento, precisa de liquidez no mercado para poder conseguir fazer isso.

Por fim, o investidor precisa se atentar à capitalização de mercado: ela é o valor total de todas as moedas que já foram mineradas. O cálculo acontece quando se multiplica o número de criptomoedas em circulação pelo atual preço de mercado de um só ativo.

O valor de mercado permite que os investidores entendam o valor relativo de uma criptomoeda em relação às demais, podendo fazer uma análise do seu histórico de capitalização e possíveis projeções sobre a movimentação de investidores a médio e longo prazo.

Além disso, outra recomendação dos especialistas é não ir muito além dos top 10 criptoativos do mercado, ou seja, os mais conhecidos e negociados, que são criptomoedas que já estão consolidadas, mas sempre verificando, antes de tudo, se faz parte da estratégia de investimentos.  

Analise corretoras de criptomoedas

Com a decisão tomada sobre quais criptomoedas se pretende investir, o próximo passo para o investidor é saber onde comprará e armazenará seus criptoativos.

Para ter mais segurança, é recomendável buscar por exchanges, que são as corretoras de criptomoedas, conhecidas no mercado, que tenham regulamentação, volume de custódia e nas quais estão listados os maiores criptoativos.

Outra dica é começar devagar, comprando ativos aos poucos, investindo pouco dinheiro, sem comprometer a renda, acompanhando e entendendo como funciona este mercado.

Acompanhe seus investimentos

Apesar dos investimentos em criptomoedas serem recomendados com foco no longo prazo, não basta comprar os criptoativos e “esquecê-los” na carteira. Os especialistas apontam que é um processo de estudo e de acompanhamento contínuo por parte dos investidores.

“É igual fazer o acompanhamento de uma ação na bolsa de valores. Apesar de ser um mercado muito novo, não faz sentido investir em criptoativo e esquecer. No mercado tradicional, você vai querer acompanhar, entender, ver análises. Com criptomoedas é o mesmo processo”, afirma Telles.

Vinicius Bitzer, da Brasil Bitcoin, recomenda que o investidor não pode se desesperar e não deve focar muito no curto prazo. “É preciso ter sangue frio, se preparar emocionalmente para entrar nesse mercado. Do contrário, só vai ter prejuízo e vai perder dinheiro para quem tem mais paciência e conhecimento de mercado, que é o que vai manter a posição e comprar barato das pessoas que estão desesperadas com a queda do ativo”, destaca Bitzer.

Atenção aos golpes

Segundo relatório divulgado em dezembro pela Chainalysis, empresa de inteligência especializada em blockchain, cibercriminosos chegaram a lucrar aproximadamente US$ 7,7 bilhões com ataques e fraudes envolvendo criptoativos no ano de 2021.

Além de ter atenção às promessas de lucros, e com retornos altos, Bitzer recomenda que a principal forma de se proteger de golpes é o investidor fazer investimento em corretora confiável, consolidada e não tirar o valor da plataforma, pois existem muitos golpes de pessoas que se passam por consultor de investimento, fazem promessas de lucro com retornos atraentes e pedem dinheiro por Pix.

“Estando dentro de uma plataforma de uma  corretora, é quase impossível passar por golpe, pois elas precisam de segurança maior. A corretora é o local mais seguro para as pessoas estarem negociando”, diz o gerente da Brasil Bitcoin.

Outra dica dos especialistas é se manter bem informado, estudar e duvidar do que destoa deste mercado.

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