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Golpes com criptomoedas: conheça os principais e saiba como fugir de armadilhas

Criptoativos como o bitcoin também estão na mira de criminosos; veja como evitar ser alvo destas fraudes.

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As criptomoedas passaram a chamar cada vez mais atenção. Um dos motivos tem sido sua valorização. O bitcoin, por exemplo, chegou atingir cotação recorde de mais de US$ 63 mil em abril, uma valorização superior a 120% em 2021 até aquele mês. Não foram só os investidores ou pessoas sem muito conhecimento deste mercado que começaram a olhar para as moedas digitais. Este cenário também se mostrou atrativo para criminosos, que passaram a aplicar golpes envolvendo criptomoedas.

Relatos de investidores que caíram em golpes, ou até mesmo a prisão de criminosos, passaram a ganhar espaço nos noticiários. No começo deste mês, por exemplo, a Polícia Federal prendeu cinco pessoas que seriam ligadas ao grupo Bitcoin Banco, além do presidente da companhia, Cláudio Oliveira, chamado de “Rei do bitcoin”, entre outros investigados. Ele é acusado de promover fraudes por meio de plataformas de negociação de criptomoedas que podem ter desviado R$ 1,5 bilhão de 7 mil clientes. 

De acordo com a empresa de inteligência em criptografia CipherTrace, fraudes com criptomoedas alcançaram US$ 1,9 bilhão em 2020.

O investidor profissional e professor de MBA em finanças digitais e blockchain na FAE Centro Universitário de Curitiba, Felippe Percigo, explica que o bitcoin tem, historicamente, uma valorização muito grande que acaba sendo aproveitada pelos golpistas. “Muitos dos criminosos utilizam deste histórico de rentabilidade, relacionam a moeda a um produto qualquer e vendem a ideia de investimento em criptoativos quando, na verdade, estão apenas usando o nome do bitcoin para vender produtos e cometer fraudes”, diz.

Percigo alerta que esquemas financeiros que usam criptoativos como um fator atrativo ainda são muito comuns e costumam causar grandes prejuízos. “É difícil uma pessoa obter lucros altos e constantes, mesmo que tenham dados que afirmam tais rendimentos. É muito improvável que isso esteja realmente acontecendo. É importante ficar atento”, afirma.

Orlando Telles, diretor de research da Mercurius Crypto, destaca que grande parte dos investidores não compreende como funciona este tipo de investimento e, por isso, acabam acreditando em promessas e perdendo seu capital.

É o que também defende a especialista em criptomoedas Sabrina Coin. Ela explica que é preciso a pessoa estudar o mercado de criptoativos e, assim, conseguirá identificar de forma mais rápida possíveis golpes. “O mercado de criptomoedas não vai te deixar rico da noite para o dia e, já tendo isso em mente, você não cairá em golpes”, orienta.

Coin defende ainda que as criptomoedas vieram para ficar, que já estão em um caminho sem volta e permitirão mais formas de pagamentos do que os que já temos, trazendo uma descentralização tanto para o mercado financeiro quanto para o sistema governamental. Ela alerta, no entanto, que é necessário que os investidores, ou futuros interessados em comprar criptomoedas, tenham cautela.

Investir em criptomoedas é seguro?

Saber o que é uma criptomoeda e como ela funciona é importante e o melhor caminho para começar a utilizá-la, evitando cair em golpes.

Tasso Lago, especialista em criptomoedas e fundador da Financial Move, explica que investir em criptomoeda é seguro.  “É totalmente seguro. O que acontece é que, por as pessoas não terem informação, elas acabam caindo em golpes de promessas de dinheiro fácil, de retorno sempre positivo. Promessas de rentabilidade positiva, de dobrar o capital rápido, isso tudo é fraude”, diz.

O especialista destaca que as criptomoedas são mais um ativo de renda variável e que, por isso, sofrem oscilações, assim como as ações, por exemplo.  “Normalmente, pelo fato de as pessoas verem o bitcoin oscilando, muitas acreditam na possibilidade desta rentabilidade alta, mas não é possível ela ser linear. E é aí que entram os golpes de ganhos altos e rápidos”, destaca.

Para evitar cair em golpes envolvendo criptomoedas, saiba quais sãos os mais aplicados pelos criminosos. Confira:

Principais golpes envolvendo criptomoedas

  • Promessa de ganhos rápidos: trata-se de uma armadilha de golpistas que criam estratégias para chamar a atenção de vítimas e roubar o dinheiro delas, oferecendo bons rendimentos, sempre positivos, acima da média e de ganhos rápidos.
  • Ofertas pelas redes sociais: os golpistas aproveitam as redes sociais para disparar mensagens privadas a diversos usuários das redes com ofertas de criptomoedas com rentabilidades atraentes e, com isso, acabam roubando dinheiro de pessoas que acreditam no que foi oferecido sendo que, na verdade, tudo não passa de um golpe. O mesmo também acontece com sites e e-mails. Os criminosos criam páginas falsas, ou até mensagens de e-mail, para enganar pessoas e roubar o dinheiro depositado por elas.
  • Pirâmides financeiras: costuma ser um dos golpes mais comuns envolvendo criptomoedas. A intenção é atrair vítimas com uma suposta promessa de ganhos rápidos. Com isso, os criminosos recrutam pessoas, que precisam convocar outras para lucrar e assim por diante, mas as vítimas acabam caindo em projetos que não existem. Para fazer parte da empresa, é exigido um valor. E, dessa forma, nasce a pirâmide e quem está no topo dela acaba lucrando. Dentro das pirâmides, existem aquelas atreladas também à mineração de criptomoedas. Nestes casos, os usuários pagam para obter uma suposta velocidade a mais e só recebem o investimento de volta quando novos usuários fazem a aquisição do mesmo plano. Porém, na verdade, nenhuma criptomoeda de fato é minerada.
  • Criptoativos inovadores: são ofertas de supostas novas moedas digitais antes do próprio lançamento dela. Com isso, pessoas apostando na valorização da criptomoeda, acabam comprando ativos que não existem e os criminosos somem com todo o dinheiro.
  • Corretoras falsas: as exchanges, ou corretoras de criptoativos, são plataformas eletrônicas semelhantes às de corretoras de ações listadas nas bolsas. O objetivo delas é facilitar a compra, venda e troca de moedas digitais, por meio da conexão entre compradores e vendedores. A criação de exchanges falsas também é prática usual de fraude no criptomercado. Os criminosos montam sites/plataformas e, ao a pessoa fazer a operação, o dinheiro cai na conta dos golpistas.
  • Robôs de investimentos: trata-se de um programa de computador que recebe as cotações de alguma plataforma, e, por meio de uma regra pré-determinada, faz o envio de ordens de compra e venda. Porém, os criminosos acabam criando um programa falso e ficando com o dinheiro que foi enviado pela vítima.
  • Aplicativos falsos: os criptoativos ficam armazenados em uma carteira virtual, no computador ou celular do investidor. Os criminosos criam aplicativos falsos de carteira de criptomoedas para roubar as moedas digitais. Os aplicativos dizem ser capazes de converter as criptomoedas em outras.  Geralmente, o usuário precisa depositar suas moedas digitais por lá para então receber o valor equivalente convertido em uma outra. Porém, ao fazer o envio das criptomoedas para os endereços listados no aplicativo, elas desaparecem.

Como evitar golpes com criptomoedas

Como são diversos os golpes, é preciso ter atenção redobrada quando se fala de investimentos em criptomoedas para não ser vítima de criminosos. Confira as principais dicas:

  • Desconfie de promessas de ganhos exorbitantes: a compra de criptomoedas tem que partir da própria pessoa. Nenhum meio de vendas oficial faz propagandas oferecendo criptomoedas,  tão pouco garantias de boas rentabilidades.
  • Cuidados com dados pessoais: nunca forneça seus dados para plataformas digitais que você desconheça ou não está acostumado a usar. Caso receba algum contato ou e-mail solicitando,  verifique o caso com a empresa responsável pela sua carteira. Além disso, mesmo parecido com a plataforma da corretora que você costuma investir, faça uma verificação de logotipo, do endereço de e-mail e evite clicar em links desconhecidos. Na dúvida, entre em contato com a sua corretora. Muitas vezes são anunciadas ofertas falsas pelos criminosos.
  • Analise criptomoedas que você desconheça: estude, se informe e verifique se determinada criptomoeda que está sendo oferecida realmente existe.
  • Utilize antivírus: faça a proteção do seu celular e computador com antivírus, que acabam funcionando como uma rede de segurança para te proteger de acessos perigosos na internet.
  • Cuidado com downloads: verifique se o desenvolvedor é confiável, se atente às recomendações do aplicativo, bem como às permissões solicitadas. Assim, é possível conseguir evitar riscos de invasões e roubos de dados.
  • Conheça o mercado: se informar, trocar experiências e estudar é fundamental para quem tem interesse em investir em criptomoedas. Do contrário, o investidor pode fica suscetível aos golpes.
  • Invista com segurança: quando for fazer a compra de criptomoedas, procure sempre pelas principais plataformas de vendas do ativo, que já são bem conhecidas e utilizadas no mercado. Além disso, é recomendável buscar pelas criptomoedas mais conhecidas e negociadas, como bitcoin e ethereum, por exemplo.  Para quem é mais leigo no mercado de criptoativos, mas já está acostumado com a renda variável em bolsa de valores, existe uma outra forma de investir com segurança em criptmoedas, que é por meio de ETFs, como o HASH11. Com ele, é possível investir em criptomoedas de forma direta na B3, sem precisar buscar corretoras específicas ou terceiros.

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