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Finanças

Número de pessoas investindo em LCA mais que dobra entre 2020 e 2022

Especialistas apontam motivos como alta da Selic, isenção do IR e risco considerado baixo para o momento.

Investimentos em Fiagros. (Foto: Pixabay)
Investimentos em Fiagros(Foto: Pixabay)

A quantidade de pessoas que escolheram fazer investimentos em LCA mais que dobrou entre o final de 2020 e o primeiro trimestre de 2022, se destacando com folga na comparação com outros produtos da renda fixa. É o que revela um estudo feito pela B3 (B3SA3) sobre a evolução dos investidores em renda fixa e variável.

De forma geral, o aumento da taxa Selic tem tornado os investimentos em renda fixa mais atrativos. Segundo a B3, a quantidade de CPFs com produtos nesse segmento subiu 17% em 12 meses até o término do primeiro trimestre de 2022, para 10,4 milhões de pessoas. O valor total investido em renda fixa (ou seja, a soma em custódia) cresceu 38%, para R$ 1,1 trilhão.

Mas o crescimento no número de investimentos em LCA em cerca de 2 anos foi bem mais forte na comparação com outros segmentos. Entre o final de 2020 e o término do primeiro trimestre de 2022, a disparada foi de 111% na quantidade de CPFs (de 399 mil para 843 mil investidores) e 104% no volume investido (de R$ 106 bilhões para R$ 216 bilhões) em LCA.

Para comparação, no mesmo período a quantidade de investidores do Tesouro Direto, por exemplo, cresceu 28%, de 1,5 milhão para 1,9 milhão de CPFs, e o valor em custódia subiu 27%, de R$ 65 bilhões para R$ 83 bilhões. Já os CDBs tiveram um incremento de 20% na quantidade de CPFs (atualmente, são aproximadamente 7 milhões de pessoas) e de 16,6% no volume investido, que chegou a R$ 513 bilhões. 

Ainda comparando os números, as LCIs ganharam 39% de CPFs a mais e 37% de volume investido. Os investimentos em debêntures registraram altas de 54% e 65%, respectivamente; os CRIs expandiram 65% e 54%; e os CRAs acrescentaram 82% de CPFs a mais à sua base de investidores e 43% a mais no volume investido. 

Por que LCA foi a ‘bola da vez’?

A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) é um tipo de aplicação em que o investidor empresta dinheiro ao banco e, depois de um certo prazo, recebe o valor de volta com o acréscimo do rendimento. É quase igual ao que acontece com o CDB (Certificado de Depósito Bancário), com a diferença de que, no caso da LCA, o banco só pode usar o dinheiro diretamente para projetos ligados ao agronegócio.

Especialistas ouvidos pelo InvestNews apontam alguns motivos por trás do forte crescimento do interesse dos investidores por LCA nos últimos meses. Um dos principais, segundo eles, é a isenção de Imposto de Renda, ao contrário do que acontece com outros investimentos em renda fixa, como o CDB e o Tesouro Direto.

A alta da Selic tem chamado a atenção dos investidores para opções de investimento em ativos de renda fixa, e quando esses investidores tomam conhecimento da possibilidade de fazer uma aplicação na qual a isenção do IR confere uma rentabilidade superior se comparada com o CDB, esses ativos acabam ganhando um apelo maior”, comenta Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed. 

O analista de investimentos Eduardo Perez, da NuInvest, aponta que, além da isenção do IR, os prazos mais curtos também têm jogado a favor da LCA, especialmente em um ano rodeado de incertezas para o mercado financeiro

“Geralmente LCIs e LCAs têm prazo de 1 a 2 anos, aliadas à isenção de IR. Então, para o investidor faz sentido ter uma aplicação que lhe ‘beneficia mais’ no curto prazo pela isenção, enquanto um prazo menor significa menos risco pensando que estamos em um ano eleitoral.”

Sobre a rentabilidade maior, Perez exemplifica: “a gente consegue comparar com um CDB que paga 100% do CDI com vencimento para 160 dias corridos. Se você pegar uma LCA que pague 90% do CDI, com os mesmos 160 dias corridos para o vencimento, a rentabilidade final chega a 116% do CDI. É uma maneira de maximizar seu retorno final, ao mesmo tempo em que minimiza o risco pelo vencimento curto.”

André Ito, sócio e gestor da MAV Capital cita ainda a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como outro fator que pode explicar o aumento da preferência dos investidores pelas LCAs, entre outros pontos. “As LCAs, geralmente, estão atreladas ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) ou ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). No primeiro caso, estamos vendo a alta dos juros reunião após reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o que torna a rentabilidade de tais papéis mais atrativa. No segundo caso, a alta da inflação faz com que o investidor busque ativos que protejam seu patrimônio da desvalorização do dinheiro.”

Ito menciona ainda “a pujança do agronegócio, setor mais resiliente em cenários de contração econômica e crise, como estamos vivendo atualmente. Tanto que vemos movimentação similar nos Fiagros (fundos de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais).”

Bruna Amalcaburio, analista da Top Gain, concorda que os investimentos em LCA “foram os queridinhos da vez”, e diz que isso acontece porque eles “são considerados investimentos de baixo risco”. Mas ela salienta que o momento é favorável para os investimentos em renda fixa de forma geral. “Estamos com ótimas oportunidades para aqueles investidores que ainda sentem aquele frio na barriga ao ver suas ações caírem com os movimentos de sobe e desce do mercado.”

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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