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Finanças

Ibovespa vira e fecha em queda, com risco fiscal preocupando; dólar sobe

Ibovespa, que operava em alta, passou a cair; dólar também virou, de olho em cenário interno.

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em

por

Karina Trevizan *
B3 e Ibovespa

O mercado mudou de sentido na tarde desta quinta-feira (5). O Ibovespa, que começou o dia subindo, fechou no vermelho, enquanto o dólar abandonou a queda e terminou o dia em alta, com as preocupações fiscais compensando a repercussão de um tom mais rígido do Banco Central ao elevar os juros no dia anterior.

O Ibovespa encerrou com recuo de 0,14%, aos 121.632 pontos. Veja a cotação do Ibovespa hoje. O dólar subiu 0,57%, comercializado a R$ 5,21350, após atingir a mínima de R$ 5,11085 no dia.

“A  gente esperava que, depois da alta da Selic e uma postura mais firme do Copom, faria sentido a parte mais longa da curva de juros cair. Mas hoje está subindo tanto a parte curta como longa”, comenta Eduardo Perez, analista da Easynvest, mencionando notícias de que o presidente Jair Bolsonaro tem insistido no aumento do valor do Bolsa Família. “E, além da questão de como financiar isso, um valor maior de benefício poderia pressionar a inflação por mais um tempo”, acrescenta Perez.

“A virada do mercado foi sim pelo estresse da curva de juros”, concorda Bruno Madruga, sócio e Head de Renda Variável da Monte Bravo Investimentos.

Com isso, depois da reação inicial positiva ao tom mais firme do Comitê de Política Monetária (Copom), que na noite do dia anterior acelerou o ritmo de alta dos juros, o mercado sucumbia aos receios fiscais que vêm dominando as atenções há uma semana.

“O Copom já sinalizou para a próxima reunião mais 1 ponto de aumento da Selic, sem dúvida nenhuma pelo cenário de inflação acelerando. Mas tem um detalhe que é o seguinte: não está dentro dessa precificação o risco fiscal. É isso que está pegando o mercado, e é por isso que o mercado brasileiro está descolando do mercado internacional e as curvas de juros estão abrindo”, explicou Madruga ao InvestNews.

João Beck, economista e sócio da BRA, aponta que este é “mais um capitulo do tema que mais gera insegurança no mercado: o fiscal. Que justamente foi o responsável pela queda do dólar abaixo de R$ 5 nos meses anteriores. Mas agora vem sendo atacado”.

Notícias sobre um novo Refis que permitiria que a perda de receita com o programa não precisasse ser compensada se somaram ao ambiente fiscal que ficou mais incerto nos últimos dias, em meio a recorrentes temores de descumprimento do teto de gastos.

“Em geral, programas de parcelamento de débitos tributários podem gerar efeito neutro no longo prazo dependendo da forma como forem estruturados. Mas na fase em que o programa ainda é um projeto de lei, o mercado prefere se proteger. Com especial motivo pelo fato de o relator do projeto, Fernando Bezerra, ter solicitado ao TCU que a perda de receita com o Refis não seja compensada, como exige a Lei de Responsabilidade Fiscal. É mais uma de muitas afrontas à LRF”, explicou Beck ao InvestNews.

Política também pesa

Não bastasse isso, o clima político acirrado piorava a sensação de instabilidade. O presidente Jair Bolsonaro subiu o tom nos ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e disse que “a hora dele vai chegar”. Na quarta-feira, Moraes acolheu notícia-crime encaminhada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e determinou a inclusão de Bolsonaro no inquérito que investiga o financiamento e a disseminação de notícias falsas por grupos ligados ao presidente.

“Não podemos deixar de lado essas rusgas entre os poderes, Executivo e Judiciário. Isso também está trazendo um grande desconforto para, principalmente, o investidor estrangeiro, que acaba retirando os valores do Brasil, e isso faz com que o dólar suba e também pese na inflação, os DIs acabam subindo e quem acaba prejudicada é a nossa bolsa de valores”, diz Madruga.

Ainda no radar doméstico estão os planos do governo de parcelar o pagamento de precatórios. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para parcelamento dos precatórios irá prever a constituição de um fundo alimentado com receitas de privatizações, venda de imóveis e dividendos de estatais, recursos que terão destinação carimbada e ficarão fora do teto de gastos.

Críticos avaliam que ela representa uma maneira criativa de o governo aumentar substancialmente os gastos em ano eleitoral ao adotar uma espécie de calote para o pagamento de dívidas – visão que a equipe econômica rechaça.

Repercussão do Copom

Os mercados repercutem o posicionamento mais agressivo do Banco Central do Brasil na reunião de política monetária desta semana, embora preocupações fiscais continuassem no radar.

O BC elevou a taxa Selic em 1 ponto percentual na quarta-feira, a 5,25% ao ano, indicando que deve repetir a dose em setembro diante das pressões inflacionárias. Para domá-las, o BC também apontou que a necessidade agora é de uma taxa básica de juros acima do patamar neutro, ou seja, em nível suficiente para desaquecer a economia.

Destaques do Ibovespa

O dia foi marcado por forte subida da Petrobras (PETR3PETR4), que anunciou na véspera seus resultados do segundo trimestre, além do pagamento de dividendos no montante de R$ 31,6 bilhões. Já a Vale (VALE3) teve queda de 3,06%, respondendo por boa parte da pressão negativa por causa da participação importante que tem na composição do Ibovespa. Raízen (RAIZ4) , que estreou nesta quinta na bolsa, caiu 2,16%. Confira os destaques da bolsa de valores hoje.

Bolsas mundiais

Wall Street

Os principais índices de Wall Street encerraram a quinta-feira em alta, após dados mostrarem que menos norte-americanos entraram com pedidos de auxílio-desemprego, enquanto uma queda nas ações da corretora online Robinhood limitava os ganhos do Nasdaq.

O índice Dow Jones subiu 0,78%, a 35.064 pontos, enquanto o S&P 500 ganhou 0,60%, a 4.429 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq avançou 0,78%, a 14.895 pontos.

Europa

As ações europeias fecharam em máximas recordes nesta quinta-feira, com os fortes balanços de Novo Nordisk e Siemens ajudando a compensar a fraqueza das mineradoras e perdas em grandes varejistas alemãs, uma vez que interrupções relacionadas à covid-19 afetaram seus resultados.

  • Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,05%, a 7.120,43 pontos.
  • Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 0,33%, a 15.744,67 pontos.
  • Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 0,52%, a 6.781,19 pontos.
  • Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de 0,69%, a 25.665,55 pontos.
  • Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 0,50%, a 8.836,50 pontos.
  • Em LISBOA, o índice PSI20 valorizou-se 0,39%, a 5.132,02 pontos.

Ásia e pacífico

O mercado acionário da China recuou nesta quinta, com os investidores acompanhando notícias da mídia estatal para descartar empresas de jogos online e produtores de fertilizantes, preocupados que esses setores possam ser o próximo alvo da repressão do governo.

  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei avançou 0,52%, a 27.728 pontos.
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG caiu 0,84%, a 26.204 pontos.
  • Em XANGAI, o índice SSEC perdeu 0,31%, a 3.466 pontos.
  • O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, retrocedeu 0,61%, a 4.948 pontos.
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve desvalorização de 0,13%, a 3.276 pontos.
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou baixa de 0,12%, a 17.603 pontos.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES desvalorizou-se 0,25%, a 3.175 pontos.
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 avançou 0,11%, a 7.511 pontos.

(*Com informações de Reuters)

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