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Finanças

Veja as 10 melhores e piores ações do Ibovespa em 2020

Em um ano que foi das lágrimas à euforia, miniciclo das commodities retornou e o legado de transparência e governança se fez presente na bolsa de valores.

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por

Katherine Rivas

Após um ano bastante conturbado, o principal índice da bolsa, Ibovespa, conseguiu zerar as perdas da pandemia nas últimas semanas de 2020 e os investidores até comemoraram um novo recorde histórico. No último pregão do ano, na quarta-feira (30), o índice chegou aos 120.149,85 pontos em sua máxima intraday -acompanhando o otimismo global e com a expectativa do avanço das vacinas- mas não conseguiu sustentar os ganhos e fechou 2020 no patamar de 119.017,24 pontos. 

Entre os melhores desempenhos do ano, as ações ligadas a commodities brilharam entre seus pares, comprovando que um novo ciclo de prosperidade está prestes a começar.

Empresas resilientes, como a fabricante de motores industriais Weg (WEGE3) e a varejista Magazine Luiza (MGLU3) também lideraram e se consagraram como as queridinhas da bolsa em 2020.

No lado oposto, entre as piores posições, a bolsa deixa importantes lições de mercado. Governança Corporativa, investimentos ESG (práticas ligadas ao meio ambiente e governança corporativa) e transparência nunca foram tão indispensáveis.

Mas quem enxerga toda essa glória na bolsa sabe que o caminho não foi nada fácil. O índice chegou a cair à mínima intradia de 61.690 pontos em questão de dois meses, uma baixa de 48% em relação ao melhor momento de janeiro. O InvestNews relembra os principais acontecimentos que levaram os investidores das lágrimas à euforia neste ano:

A bolsa começou o ano com perspectiva de forte valorização. Segundo levantamento de Thomas Lobo, analista da Flip Investimentos, os primeiros sinais de crise aconteceram no período entre 20 e 28 de fevereiro, quando o novo coronavírus se espalhava pelo exterior, mas ninguém conseguia identificar ainda quais seriam os reais impactos no mundo. Os investidores experimentaram um movimento de aversão ao risco, se desfazendo de algumas posições.

No mês de março veio a pior parte, quando os primeiros casos foram confirmados no Brasil e o Ibovespa chegou a sofrer seis circuit breakers, despencando até os 61.690,53 pontos. O cenário ficou ainda mais complicado com a crise do petróleo internacional. “O barril Brent desvalorizou 59% e o WTI 63,22%”, explica Lobo. A decisão da Opep+ de cortar a produção de petróleo afetou o mercado. A Rússia não acatou a decisão e a Arábia Saudita, maior exportador da commodity, decidiu então reduzir os preços e aumentar a produção.

No Brasil, os investidores venderam suas posições em petrolíferas, a Petrobras (PETR4) chegou a cair 64,81%, no intervalo de 20 de fevereiro até o dia 18 de março, puxando junto o Ibovespa.

Em abril, a crise política também teve seus impactos no índice, com a saída do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro do governo e, como consequência, o dólar chegou a se aproximar dos R$ 6.

Em julho, o mercado já deixava de “respirar por aparelhos”, começando a experimentar os primeiros sinais de reanimação com a reabertura das economias. Os investidores conseguiram ter uma visão mais clara da pandemia e ficaram na expectativa com os resultados das companhias no 2º trimestre.

Enquanto alguns setores amargaram os piores prejuízos de sua história, as varejistas online passaram pelo chamado “efeito Amazon”: Mercado Livre, Magazine Luiza, Via Varejo e Lojas Americanas atingiram fortes altas puxadas pela rápida evolução dos e-commerce.

Entre setembro e outubro, o Ibovespa começou a se recuperar e retomou o patamar dos 100 mil pontos, impulsionado pelos balanços do terceiro trimestre, com as companhias sinalizando boa recuperação.

No final de outubro, a incerteza voltou a bater na porta do mercado, diante de temores com uma segunda onda da covid-19. As expectativas com as eleições americanas e o pacote de estímulos dos Estados Unidos também geraram forte volatilidade.

A bolsa chegou a cair aos 93.386,55 pontos, no pior momento do dia 29 de outubro, enquanto o risco fiscal e o aumento da divida pública assombravam os investidores.

Em novembro, chegou a sonhada recuperação, se consagrando como o melhor mês de novembro desde 1999. A vitória do democrata Joe Biden nas eleições americanas trouxe clareza global. “Embora Trump fosse preferido pelo mercado financeiro, seu oponente provou ser a melhor opção para os investidores”, afirma Lobo.

Em dezembro, o Ibovespa conquistou o patamar dos 118 mil pontos e continuou em tendência de alta.

Nos últimos dias de 2020, o índice oscilou entre os 117 mil e 119 mil pontos até que no último pregão do ano, no dia 30 de dezembro, o índice renovou o seu recorde histórico chegando a 120.149,85 pontos na máxima do dia. “O Ibovespa foi puxado pelo otimismo global dos investidores, seguindo as bolsas americanas que também alcançaram recordes e com a expectativa do avanço das vacinas”, explica o analista.

Contudo, o índice não conseguiu segurar os ganhos e o Ibovespa encerrou 2020 nos 119.017,24 pontos.

Como avaliam alguns especialistas, o índice voltou ao patamar do começo de 2020, apenas com o risco fiscal e o descontrole das contas públicas como empecilhos da retomada econômica.

Mais da metade dos gestores do mercado financeiro está otimista com o futuro da bolsa, projetando o Ibovespa acima de 130 mil pontos para o final de 2021, segundo uma pesquisa do Bank of America (BofA).

A melhor ação do ano

Entre os setores com melhor desempenho em 2020, as commodities não desapontaram, puxadas pelo apetite chinês que reaqueceu a economia global.

As siderúrgicas se beneficiaram com a recuperação nos preços do minério de ferro, atualmente negociado acima de US$ 150 a tonelada.

A CSN (CSNA3), com valorização de 126,01%, foi a melhor ação do Ibovespa. Quando a China aumenta a sua demanda por minério de ferro, as siderúrgicas chinesas elevam também o preço do aço. Em consequência, no Brasil as siderúrgicas reajustam o preço local para equiparar com o valor internacional, o que favoreceu as companhias.

Além da valorização do aço e do minério de ferro, a CSN se beneficiou com a melhora nos fundamentos financeiros da companhia, entre eles seu ebitda (que indica o potencial de geração de caixa). Em dezembro, a empresa projetou que seu endividamento para 2021 vai diminuir para a proporção de 2 vezes dívida liquida/ebitda.

Os investidores também estão de olho no IPO da unidade de mineração que deve ocorrer em 2021. Segundo Benjamin Steinbruch, presidente-executivo da empresa, o IPO da CSN Mineração pode acontecer já na primeira semana de janeiro.

Top 10 ações de 2020

Considerada pelos investidores como um “porto seguro” durante a crise, a Weg (WEGE3) foi a segunda melhor ação do Ibovespa, com alta acumulada de 120,30%.

Segundo Eduardo Cavalheiro, gestor da Rio Verde Investimentos, a companhia construiu um histórico de decisões estratégicas e rápida adaptação às tendências do mercado, o que a consagrou entre os investidores.

Durante a pandemia, a Weg também consolidou seus ganhos com a boa gestão de custos e despesas. A fabricante de equipamentos industriais surpreendeu o mercado ao lucrar R$ 644,24 milhões no terceiro trimestre, um salto de 54% em relação ao mesmo período em 2019.

“Um dos acertos da Weg foi priorizar na sua produção a mudança de matriz energética”, afirma o gestor. A companhia privilegiou a produção de veículos elétricos e a conversão de motores tradicionais para este sistema. Outra vantagem competitiva foi mergulhar na geração de energia eólica com a produção de aerogeradores. Segundo Cavalheiro, estes movimentos destravaram o preço da ação.

Ainda no mês de dezembro, a Weg comemorou duas novidades: a aquisição da fábrica de Transformadores e Serviços de Energia das Américas (TSEA), localizada em Betim (MG). E voltar a integrar o Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (ISE).

No seu melhor patamar de 2020, as ações da companhia já chegaram a ser negociadas em R$ 85,75. Contudo, seguindo o fluxo de rotação de setores, a Weg realizou ganhos nos últimos dois meses e desacelerou. No dia 30 de dezembro, a ação fechou cotada a R$ 75,74.

Embora o mercado considere a ação como ‘inegavelmente cara’, Cavalheiro avalia que o crescimento do papel foi desproporcional em 2020, mas o exagero nos preços será corrigido no próximo ano. “A Weg continuará entregando ótimos resultados para o investidor, mas certamente não estará entre as melhores da lista novamente”, diz.

Na 3ª posição está outra queridinha entre as commodities, é a PetroRio (PRIO3), com valorização de 112,31% em 2020. A companhia saltou quase 8.000% nos últimos cinco anos e se tornou a preferida entre as petrolíferas, considerada por muitas casas de análise como a nova Petrobras.

Entre suas principais vantagens competitivas, está a eficiência de produção. A PetroRio compra campos maduros de petróleo e reduz drasticamente os custos de extração por meio do seu sistema de “tieback” – um processo para compartilhar a mesma infraestrutura na extração de petróleo de dois campos vizinhos, utilizando um FPSO, um navio que recebe e armazena óleo. Estratégia que será aplicada também nas suas novas aquisições de Wahoo e Itaipu com chance de aumentar a sua produção em até 50% em 2021.

A PetroRio também valorizou este ano com a recuperação nos preços do petróleo internacional. Durante a crise, o barril Brent chegou a ser negociado a US$ 22,76, atualmente a cotação do petróleo Brent e WTI se aproxima de US$ 50. Segundo apontam as principais casas de análise, as commodities devem viver “miniciclo de alta” nos próximos dois ou três anos.

Na 4ª posição está a varejista Magazine Luiza (MGLU3), que valorizou 109,66%, enquanto a sua principal concorrente a Via Varejo (VVAR3) fechou 2020 com alta acumulada de 44,67%.

O gestor da Rio Verde Investimentos afirma que as varejistas foram beneficiadas principalmente pela explosão do e-commerce. Durante a pandemia, os consumidores encontraram na compra online uma forma efetiva de satisfazer suas necessidades. Este movimento provocou um crescimento fora da curva. “Antes da pandemia, a expectativa de GNV (volume bruto de mercadorias dentro das plataformas digitais) das varejistas era em torno de 30%, mas elas devem fechar 2020 em 70%”, aponta.

Apesar da reabertura econômica, ele acredita que o e-commerce deve dividir espaço com o varejo físico em 2021.

Ainda no setor, outro destaque foi o turnaround da Via Varejo. No começo de 2020, o mercado ainda enxergava com receio a forte valorização das ações. No entanto, esta situação mudou no terceiro trimestre, após a apresentação do balanço, quando a companhia finalmente conquistou a confiança dos investidores.

Com números bons, a Via Varejo está se tornando outra pupila das casas de análise e gestores de fundos, embora nenhum tenha coragem de tirar a Magazine Luiza da carteira. Porém, Cavalheiro destaca que ainda há um longo caminho a percorrer para igualar a concorrente, considerando a logística e o desenvolvimento tecnológico da Via Varejo. “A empresa está indo na direção da Magazine Luiza, mas o problema é que a Magalu continua andando e vai ser necessário acelerar para alcançá-la”, diz.

As 10 melhores ações do Ibovespa em 2020*:

AçãoAlta
Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3)126,01%
Weg (WEGE3)120,30%
PetroRio (PRIO3)112,31%
Magazine Luiza (MGLU3)109,66%
Bradespar (BRAP4)73,14%
Vale (VALE3)70,58%
Usiminas (USIM5)55,28%
Brasil Bolsa Balcão (B3SA3)48,87%
Suzano (SUZB3)47,53%
Localiza (RENT3)46,44%

* Levantamento TradeMap até 30/12/2020

Micos da Bolsa

Entre as piores ações do Ibovespa, estão companhias que sentiram à flor de pele os impactos da pandemia. No entanto, algumas ainda terão seu futuro comprometido por problemas de governança corporativa ou a necessidade de reestruturar seus modelos de negócio.

A pior ação do Ibovespa em 2020 foi o grupo ressegurador IRB Brasil (IRBR3), que acumula queda de 76,88%.

Alexandre Jung, head de renda variável da Vero Investimentos, lembra que foram inúmeros os conflitos de governança que levaram o IRB Brasil a se tornar uma nova companhia, bem menos rentável da que conhecíamos nos anos anteriores.

A crise do IRB começou em fevereiro com uma carta da gestora Squadra que questionava o balanço da empresa, o que gerou um sinal de alerta no mercado. Seguindo a linha de tempo dos conflitos, alguns executivos que integravam o núcleo de Relações com Investidores da companhia apontaram que a Berkshire Hathaway, gestora de Warren Buffet, estaria interessada em investir no IRB. Fato que foi desmentido pelo próprio Buffet em março, provocando uma queda abrupta nas ações da companhia.

Deste então e apesar das tentativas de se reestruturar, o IRB Brasil sofre diversos ataques do mercado que criticam sua governança e o nível de sinistralidade da empresa.

Confirmando a crise da resseguradora, no mês de outubro, o banco UBS alterou o preço-alvo das ações de R$ 48 para R$ 4,60, alegando uma baixa governança comprovada. Jung explica que antes da pandemia o lucro esperado por ação do IRB era de R$ 1,75, mas no novo modelo de precificação foi reduzido para 0,35 centavos.

Outro baque foram os dividendos. No passado muitos investidores incluíram IRB na carteira na esperança de receber bons proventos. Porém, agora foram reduzidos para o patamar de 14 centavos ao ano. “Isso se traduz num dividend yield de 2%, que é semelhante à taxa Selic atual, fato que acabou afastando ainda mais os investidores”, explica.

Jung reforça a importância de entender que hoje o IRB Brasil é uma nova companhia, muito distante dos tempos de glória do passado, embora não exista risco de recuperação judicial.

A segunda pior ação do Ibovespa em 2020 foi a Cogna (COGN3) que desvalorizou 59,49%. Ele explica que a companhia sofreu principalmente com as perdas da receita do FIES (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior).

Recentemente em processo de reestruturação, a Cogna anunciou que fecharia 45 dos seus 176 campus. O CEO da companhia, Rodrigo Galindo, apontou que agora o foco se concentrará nas plataformas digitais. “Com aulas EAD, a consequência imediata é redução na geração do caixa, as mensalidades do ensino online são mais baratas”, afirma Jung. Segundo Galindo, só em 2024 a Cogna deve voltar a ter crescimento no seu caixa.

Olhando para o lado do investidor, em 2020 a Cogna pagou 0,08% de dividendos, um patamar muito inferior se comparado com a média do mercado de 2,5% de dividend yield ao ano.

A empresa também sofre com um endividamento alto, na ordem de 11,5 vezes o ebitda. Segundo Jung, nem com a rotação de setores da para esperar boas notícias. “Sem FIES e com problemas no setor de educação o futuro é incerto”, alerta.

Ainda entre os piores desempenhos está a credenciadora de meios de pagamentos Cielo (CIEL3), que vem enfrentando dificuldades há alguns anos. A companhia acumula perdas de 51,54% em 2020.

O especialista explica que a Cielo sempre teve um histórico de margens de lucro baixas, apesar do crescimento da sua receita. Desde o ano de 2008, se destacar entre as concorrentes se tornou uma missão complicada. “Com novos players no mercado e outras formas de pagamento surgindo, a margem da companhia reduziu ainda mais”.

A pandemia chegou para reforçar este problema. “Comércios fechados e redução nas vendas agravaram o cenário da Cielo”, explica Jung. No segundo trimestre de 2020, a companhia anunciou pela primeira vez que teve prejuízo de R$ 72,5 milhões.

Com isso, o sinal de alerta se espalhou pelo mercado e as principais casas de análise estabeleceram como média o preço-alvo de R$ 5,09 por ação, mas na sua maioria com recomendação neutra. “O problema não é a geração de caixa da Cielo, agora o investidor tem o desafio de ficar atento as margens de lucro da companhia”, conclui Jung. No dia 30 de dezembro, as ações fecharam cotadas a R$ 4,00.

As dez piores ações do Ibovespa em 2020*:

AçõesQueda
IRB Brasil Resseguros (IRBR3)-76,88%
Cogna (COGN3) -59,49%
Embraer (EMBR3) -55,14%
Cielo (CIEL3)    -51,54%
Cia Hering (HGTX3)    -48,34%
CVC Brasil (CVCB3)    -46,56%
brMalls (BRML3)    -45,18%
BRF (BRFS3)    -37,39%
Azul (AZUL4)  -32,57%
Gol (GOLL4)    -32,23%

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* Levantamento TradeMap até 30/12/2020

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